Alguns tipos de leucodistrofias podem ser tratadas com transplante de medula óssea de doador compatível.
Doenças degenerativas do sistema nervoso que acometem principalmente crianças, as leucodistrofias, embora raras, preocupam por causa do prognóstico desfavorável e do sofrimento que impõem aos pacientes e seus familiares durante sua evolução. Elas são causadas pela degeneração da mielina, película que reveste os nervos, fazendo com que eles percam a capacidade de conduzir impulsos, o que ocasiona a deterioração progressiva das funções cognitiva a motora até, por fim, atingir as funções vitais.
Existem mais de 30 tipos de leucodistrofias, todas de origem genética. A mais frequente é a adrenoleucodistrofia (ALD), que acomete quase que exclusivamente crianças do sexo masculino. Mas outras leucodistrofias podem ocorrer em meninos e meninas.
Na maioria delas, as manifestações iniciais surgem entre os 6 e 14 anos de idade, com sintomas como dificuldade de aprendizado, deficit de atenção, problemas de locomoção e quedas constantes, dentre outros. Embora sejam comuns em outros distúrbios de comportamento infantil, são sintomas que devem servir de alerta aos pais, principalmente se existirem casos de leucodistrofias na família.
O diagnóstico é feito por meio de exames neurológicos, laboratoriais e de ressonância magnética, que podem mostrar se já existe degeneração da mielina. Detectados em estágio muito inicial, alguns tipos de leucodistrofias, dentre eles a ALD, podem ser tratados com transplante de medula óssea de doador compatível. Isso porque a degeneração da mielina ocorre por deficiência na ação de enzimas que são produzidas por células provindas das células-tronco hematopoiéticas (células formadas na medula óssea). O transplante reconstitui a medula óssea do paciente, corrigindo o erro de formação dessas células. Com isso, o avanço da doença consegue ser detido em 80% a 90% dos casos, embora não seja possível recuperar eventuais danos causados anteriormente.
Para o transplante, o paciente deve ser submetido a uma quimioterapia a fim de possibilitar a implantação das novas células do doador em sua medula óssea e garantir a produção das enzimas deficientes. Se bem-sucedido, é possível perceber a interrupção do avanço da doença e,no prazo de um ano, o paciente pode levar vida normal.
O êxito do transplante, única alternativa terapêutica para alguns tipos de leucodistrofia, depende da precocidade do diagnóstico. Portanto, quando houver casos na família, os pais devem estar atentos e buscar orientação médica quando houver sinal de que alga não vai bem com seu filho.
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